Carola celebra collab com Fatboy Slim e Felix Da Housecat: "Faz você perceber que todo o caminho valeu a pena"
Poucos artistas têm a oportunidade de dividir uma faixa com aqueles que ajudaram a escrever a história da música eletrônica. Para Carola, esse momento chegou com "Funk Drunk", colaboração lançada no último dia 10 ao lado de Fatboy Slim e Felix Da Housecat, dois nomes fundamentais para a cultura clubber das últimas décadas.
Nascida de um mashup que Fatboy Slim passou meses testando em seus sets, a música rapidamente conquistou as pistas e se tornou um dos capítulos mais emblemáticos da ascensão internacional da brasileira. Com menos de duas semanas do lançamento oficial, ultrapassou a marca de 200 mil plays no Spotify, além de ter alcançado o Top 100 de tech house do Beatport.
Em entrevista exclusiva para a Play BPM, Carola relembra como recebeu o convite, revela os bastidores do processo criativo, reflete sobre o peso simbólico da parceria para uma mulher preta e periférica que conquistou espaço na cena global e fala sobre os próximos objetivos de uma carreira que segue acumulando marcos históricos.
“Funk Drunk” é uma collab com Fatboy Slim e Felix Da Housecat, dois nomes que ajudaram a moldar a história da música eletrônica. Em que momento você percebeu que essa colaboração realmente iria acontecer, e qual foi sua primeira reação?
Acho que a ficha caiu quando começamos a trocar ideias de verdade sobre a música, não apenas sobre uma possibilidade. O Fatboy entrou em contato comigo na metade de 2025 para falar que tinha feito um bootleg unindo “ABC”, minha música com o 7ky, e “Funky Dunk”, do Felix.
Até então, parecia algo distante, quase surreal. Quando percebi que eles realmente acreditavam no projeto e queriam construir algo original, senti uma mistura de felicidade, gratidão e também uma responsabilidade gigantesca. São artistas que influenciaram gerações e que, de certa forma, também fizeram parte da minha formação musical.
A faixa nasceu de um mashup que Fatboy Slim testava nos próprios sets. Como foi transformar uma ideia que funcionava nas pistas em uma produção inédita, passando por diversas versões até chegar ao resultado final?
Foi um processo muito colaborativo. A ideia inicial já tinha uma energia muito forte porque vinha sendo testada nas pistas pelo Fatboy há um tempo, mas transformar isso em uma música inédita exigiu bastante trabalho.
Fizemos várias versões, ajustamos estrutura, dinâmica e detalhes da produção até encontrar um equilíbrio em que a identidade de todos estivesse presente. Foi um processo longo, mas que mostrou como uma boa música precisa funcionar tanto na pista quanto fora dela.
Não é a toa que temos duas versões. Sinto que a do Felix funciona muito com um publico mais underground, e a que tem apenas os vocais do 7ky, com um público mais mainstream.
Ao longo dos últimos anos, você conquistou espaço em gravadoras importantes, recebeu suporte de grandes DJs e agora lança uma faixa ao lado de dois ícones da cena. Seria este o momento mais importante da sua carreira?
Sem dúvida é um dos momentos mais marcantes da minha trajetória. Tive a felicidade de viver experiências incríveis como tocar no Coachella, fazer turnê com Sofi Tukker, tocar no Mainstage da Tomorrowland Bélgica e Brasil, e também no mainstage do EDC Las Vegas e Orlando.
Mas assinar uma faixa ao lado de Fatboy Slim e Felix Da Housecat representa um reconhecimento muito especial. É aquele tipo de conquista que faz você olhar para trás e perceber que todo o caminho valeu a pena.
Além do peso dos nomes envolvidos, “Funk Drunk” tem um forte apelo clubber. Como tem sido a reação do público quando você toca a música nos seus sets? Houve algum momento que fez você perceber que ela precisava ser lançada?
A reação sempre foi muito forte. É uma música que cria uma conexão imediata com a pista, e isso ficou claro desde as primeiras vezes que toquei. Ver as pessoas cantando, filmando e perguntando quando a faixa seria lançada foi um sinal de que ela precisava ganhar vida oficialmente. Acho que quando uma música desperta essa curiosidade antes mesmo de existir nas plataformas, é porque ela encontrou seu momento.
Você comentou que levar sua identidade para uma colaboração desse tamanho tem um significado especial. De que forma a sua trajetória, como mulher preta e periférica, influencia a maneira como você encara conquistas como essa?
Minha trajetória me ensinou a valorizar cada conquista, porque hoje eu sei que o caminho nunca será linear. Venho de uma realidade onde sonhar grande muitas vezes parece um privilégio, então ocupar esses espaços tem um significado que vai além da música.
Espero que minha história mostre para outras pessoas que é possível chegar lá sem abrir mão da própria identidade, e sem deixar de lembrar de onde se veio. Cada conquista também representa quem veio antes de mim, representa minha família, meus amigos que me apoiam, e abre os caminhos para que eu possa continuar aqui fazendo o que eu amo.
Se pudesse voltar alguns anos e contar para a Carola que estava começando que um dia ela assinaria uma faixa com Fatboy Slim e Felix Da Housecat, o que você acha que ela diria?
Acho que ela simplesmente não acreditaria, apesar de eu sempre ter sido muito delulu, por isso de fato é algo surreal. Mas acho que também eu diria para continuar exatamente como estava: estudando, trabalhando muito e sendo paciente. Sempre fui movida por grandes sonhos, então talvez ela até acreditasse no impossível, mas jamais imaginaria que todas essas coisas aconteceriam dessa forma.
Eu me orgulho cada dia mais da trajetória que eu tenho construído.
Qual o próximo grande sonho a ser realizado?
Acredito que a gente precisa comemorar as conquistas, mas nunca deixar de sonhar. Quero continuar levando minha música para cada vez mais lugares do mundo, construir uma carreira que tenha longevidade e deixar uma contribuição para a cena eletrônica.
Também sonho em colaborar com outros artistas que sempre admirei e, principalmente, continuar criando músicas que façam as pessoas viverem momentos inesquecíveis nas pistas, e ser cada vez mais um exemplo a todos os artistas que sonham em viver da sua arte.
Mais sobre Carola
Carola é DJ e produtora musical com mais de uma década de carreira, reconhecida internacionalmente e destaque da cena eletrônica latino-americana.
Já se apresentou em alguns dos maiores festivais do mundo, como Coachella, Tomorrowland, Rock in Rio, Lollapalooza e EDC.
Suas produções ultrapassam cem milhões de streams e incluem uma colaboração marcante com Fatboy Slim, que a convidou para remixar o clássico “Ya Mama”. Em 2024, fez história ao tocar na abertura do primeiro jogo da NFL fora da América do Norte e integrou a Bread Tour do Sofi Tukker pelos EUA e Canadá, consolidando sua presença global.
Imagem de capa: Divulgação.
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