“É muito mais sobre identidade e verdade”, afirma Öwnboss ao falar sobre os pilares da No Signal Collective
Em meio a uma agenda internacional que passou por Ásia e Estados Unidos, Öwnboss oficializa um novo capítulo na carreira com o lançamento da sua própria gravadora. A No Signal Collective estreia no mercado com “Selecta”, faixa assinada em colaboração com Voltech.
A gravadora surge como um espaço guiado pela liberdade criativa, afastado das lógicas imediatistas de mercado e da pressão por performance em números e inteligências artificiais. A proposta é reunir artistas que compartilham dessa mesma visão.
A estreia do selo marca um novo ciclo na carreira do artista, que já passou por eventos como Tomorrowland, Rock in Rio, Lollapalooza, Creamfields e EDC Las Vegas, além de suportes de nomes como Tiësto, Martin Garrix, Armin van Buuren e David Guetta.
Aproveitamos o momento para conversar com Öwnboss sobre o lançamento, novo momento criativo e os próximos passos da No Signal Collective.
“Selecta” nasce com uma proposta pisteira muito clara. Em que momento você percebeu que essa faixa tinha exatamente esse potencial de pico de set?
A “Selecta” é uma track que encaixa em diversos momentos diferentes, percebi isso logo na primeira ideia que o Voltech mandou. Tinha espaço para melhorar algumas coisas, mas a faixa já tinha postura de protagonista. Fiz os ajustes, terminei a música e fui direto testar… não deu outra, trackzona de pico de set.
A colaboração com o Voltech parece ter vindo de uma conexão muito orgânica. Na prática, como foi esse processo criativo entre vocês dois?
Foi bem natural. Ele me mandou a ideia, eu já senti que tinha algo especial ali. Fui mexendo, ajustando, trazendo mais pra minha identidade e a gente foi refinando até chegar na versão final. Não teve muito overthinking, foi feeling e conexão mesmo.
Você comentou sobre estar em uma fase mais conectada com o que realmente quer tocar. O que mudou na sua forma de produzir em relação aos anos anteriores?
Mudou tudo. Antes eu estava fazendo muita música que eu nem tocava e ano passado resolvi repaginar tudo.
Minha regra hoje é clara: ouvi uma ideia ou comecei algo do zero, se eu sentir que é especial eu sigo. Se eu gostar, mando para alguns produtores e para o meu time, se o feedback for positivo eu finalizo uma versão para testar. Se na pista e na minha intuição fizer sentido, aí sim eu finalizo e mando pras gravadoras.
Resumindo, não faço mais nada no automático e tenho uma estratégia pra não me perder no meio do caminho.
A No Signal Collective chega com um discurso forte de liberdade criativa. Quais são os pilares que vão guiar a curadoria do selo daqui pra frente?
Nesse primeiro ano, a ideia são seis lançamentos, todos em colaboração comigo, tanto para aumentar as chances de acerto quanto para fortalecer e incentivar artistas da cena.
O principal pilar é simples: música que eu realmente tocaria e que faz sentido pra mim. Não existe fórmula ou pressão externa, é muito mais sobre identidade e verdade do que qualquer outra coisa.
Em um cenário cada vez mais orientado por algoritmo e viralização, como você equilibra essa proposta mais intencional com as demandas do mercado? Bombar no streaming e nos charts do Beatport é algo secundário para a nova gravadora e suas próximas criações?
Sendo bem sincero, eu não estou muito preocupado com isso. Se a música ressoou comigo já basta. Se vier número, playlist, chart, maravilhoso, claro que ajuda e incentiva, mas em nenhum momento a música foi feita pensando nisso. Não fico bitolado com número, lanço, vejo que entrou em boas playlists, comemoro e sigo. Pra mim a prioridade é a música, não o algoritmo.
Depois de uma trajetória com tantos suportes e grandes lançamentos, o que ainda te desafia ou te motiva hoje dentro da música eletrônica?
O que me motiva é que ainda tem muita coisa pra melhorar, muito artista novo pra ajudar e muita gente nova pra fazer dançar. Isso nunca acaba.
Pensando no futuro da No Signal Collective, você já imagina o selo como um coletivo que deve se expandir para eventos, showcases e experiências ao vivo? O que mais está no radar?
Sim, a ideia é justamente essa e a gente já vem caminhando nessa direção. Primeiro realizamos a No Signal festa, e agora a No Signal Collective nasce como uma extensão natural desse movimento. A proposta é que as duas caminhem juntas e se fortaleçam mutuamente.
Também está no radar trazer artistas internacionais em ascensão, nomes fortes lá fora, mas que ainda não são tão conhecidos pelo público brasileiro, seja através dos lançamentos na label ou das apresentações nas festas.
Foi o caso do Marten Horger na primeira edição, muita gente não o conhecia e foi algo diferente, saiu do padrão e criou conexão real com o público. Também quero fazer edições com artistas brasileiros da label no line.
Fora isso, tem outras coisas vindo, mas aí só quando tiver 100% confirmado.
Imagem de capa: Divulgação.
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