Botanic celebra quatro anos no Surreal Park e traz Apollonia ao Brasil com sua rara formação completa no dia 17 de julho
Em poucos anos, a Botanic deixou de ser apenas uma label de festas para se tornar uma das principais referências brasileiras quando o assunto é curadoria voltada ao house e minimal de vanguarda. O projeto, criado por Døriva e Leo Andreazza, nasceu do desejo de construir pistas guiadas pela pesquisa musical e por artistas que raramente circulam pelo país. Agora, essa trajetória chega a um novo capítulo.
No dia 17 de julho, a Botanic celebra seus quatro anos de história no Surreal Park, espaço que acompanha sua evolução desde as primeiras edições. Para marcar a ocasião, a label apresenta um dos lineups mais relevantes de sua trajetória, liderado pelo Apollonia, que retorna ao Brasil em apresentação única e, principalmente, em sua formação completa, reunindo Dan Ghenacia, Shonky e Dyed Soundorom pela primeira vez no país em muitos anos.
Mais do que uma comemoração, a noite reforça duas frentes importantes: a consolidação da Botanic como uma label que ajudou a ampliar o espaço para sonoridades mais refinadas dentro da cena nacional, e o papel do Surreal Park como um dos poucos superclubs brasileiros com estrutura, público e curadoria para receber encontros desse porte. A vinda do Apollonia em sua formação completa, em apresentação única no Brasil, segue uma linha que o club vem sustentando nos últimos anos: apostar em artistas de pesquisa, nomes menos frequentes no país e formatos especiais que dificilmente encontrariam o mesmo contexto em outras pistas — como aconteceu recentemente com [a:rpia:r].
Apollonia: três DJs, uma linguagem própria
Criado em 2012 por Dan Ghenacia, Shonky e Dyed Soundorom, o trio francês rapidamente redefiniu a ideia de back-to-back ao desenvolver um conceito baseado em apresentações exclusivamente em vinil, conduzidas em um sistema rigoroso de alternância de discos — cada integrante toca uma faixa por vez durante toda a performance. O resultado é uma construção coletiva extremamente fluida, onde as decisões acontecem em tempo real e a pista acompanha uma narrativa construída a seis mãos.
Esse formato levou o Apollonia a alguns dos principais clubs e festivais do mundo, incluindo fabric London, DC10, Sunwaves, Junction 2, Caprices Festival, Kappa Festival e diversas maratonas all night long que se tornaram marca registrada do trio. Ao longo da última década, também tornaram-se presença frequente na Circoloco, em Ibiza, na Music On, no Amnesia, e figuraram entre os DJs mais bem posicionados da Resident Advisor por dois anos consecutivos.
Sua passagem pelo Brasil ganha um peso ainda maior por reunir novamente os três integrantes em uma formação completa, algo que não acontecia há anos e que transforma esta apresentação em um dos momentos mais aguardados do calendário nacional para o público ligado ao house e ao minimal.
Quatro anos de Botanic
A história da Botanic começou muito antes da primeira festa. A amizade entre Døriva e Leo Andreazza remonta a 2011, quando ambos descobriram uma afinidade imediata por artistas e sonoridades que ainda ocupavam um espaço bastante restrito nas pistas brasileiras. Enquanto Døriva consolidava sua trajetória como DJ — tornando-se residente do D-EDGE e construindo uma carreira consistente dentro da cena nacional — Leo aprofundava sua atuação como pesquisador musical e produtor cultural, participando da realização de projetos importantes, entre eles uma edição do Festival Club Quinto Sol com Ricardo Villalobos.
Foi durante a pandemia que decidiram transformar essa conexão em um projeto conjunto. Primeiro surgiu o Botanic Soundsystem, duo que traduz a pesquisa musical desenvolvida por ambos ao longo de mais de uma década. Depois veio a label, criada para oferecer um espaço permanente a artistas e sonoridades que dificilmente encontravam protagonismo nos grandes circuitos nacionais.
Desde sua estreia, em 2022, a Botanic encontrou no Surreal Park um ambiente natural para desenvolver sua proposta. A parceria permitiu que a label ocupasse diferentes pistas do complexo ao longo dos anos e apresentasse ao público artistas como Cosmjn, Traumer, Shonky, Alci, Cristi Cons, Olga Korol, Mathew Jonson e [a:rpia:r].
Uma celebração construída a partir da própria identidade
Além do Apollonia e do Botanic Soundsystem, anfitriões da celebração, o lineup também reúne Beatric e Bioma DJs. Beatric ocupa o warm up da noite após vencer o Sprout, concurso criado pela Botanic para revelar novos artistas e abrir espaço real dentro de sua programação anual. A iniciativa, que cede um slot ao vencedor em uma das edições da label, reforça o compromisso da Botanic em formar cena para além da curadoria de atrações internacionais.
Como DJ, Beatric vem consolidando uma pesquisa que atravessa house, minimal, trance, electro, e as vertentes mais clássicas do techno, equilibrando referências atemporais e contemporâneas em sets que já passaram por clubs e festas como D-EDGE, Vibe, OBLIQO, Gop Tun e apresentações em Buenos Aires, além de ser idealizadora da plataforma LAVANDA, voltada ao fortalecimento da presença feminina na música eletrônica.
Já o Bioma DJs representa a extensão musical da festa Bioma, uma das iniciativas mais relevantes da cena curitibana recente. Formado por Franco Vargas, Paulo Pires e Thiago Oliveira, o trio reúne três gerações de DJs da capital paranaense em uma seleção que percorre diferentes vertentes da house music, conectando clássicos, descobertas e novas sonoridades.
Ao completar quatro anos, a Botanic chega a um momento que vai além da celebração de uma marca. O evento simboliza a consolidação de um trabalho desenvolvido com consistência desde sua criação: formar público, apresentar artistas pouco frequentes no Brasil e defender uma curadoria orientada pela pesquisa musical.
Ingressos antecipados estão disponíveis através do site oficial do Surreal Park.
Imagem de capa: Divulgação.
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